O Meliponário Massapê é um centro independente de produção, pesquisa e capacitação. Está localizado no nordeste do Brasil, em João Pessoa, a capital da Paraíba. Tem como principais objetivos a difusão da criação de abelhas nativas sem ferrão - meliponicultura - e a valorização de seus praticantes e produtos.

4 de fevereiro de 2011

DIVISÃO DE COLÔNIAS DA ABELHA URUÇU: alguns resultados na Paraíba

Observação: Essa postagem teve como base o trabalho publicado por Jerônimo Villas-Bôas e Celso Feitosa Martins durante o XVII Congresso Brasileiro de Apicultura e IV de Meliponicultura ocorrido em maio de 2010 em Cuiabá - MT.


INTRODUÇÃO

Grande parte do sucesso de atividades agrícolas diz respeito à sua produtividade. No caso da meliponicultura, entre outros fatores, a produtividade é diretamente relacionada ao modelo de caixa utilizado. Nas últimas décadas, o desenvolvimento de um modelo de caixa eficiente para a criação de abelhas sem ferrão tem sido motivo de esforços para alguns produtores e pesquisadores, em especial no Brasil. Entre os modelos conhecidos, merece destaque a caixa “Fernando Oliveira/INPA” (figuras 1 e 2).

 A grande vantagem desse modelo é a possibilidade de dividir uma colônia por meio do “Método de Perturbação Mínima” (OLIVEIRA E KERR, 2000), no qual em poucos minutos e sem a necessidade de se manusear os favos de cria com as mãos, obtém-se duas colônias através da divisão de uma única (figura 3). A vantagem do método é a recuperação relativamente acelerada do enxame e a probabilidade menor de incidência de pragas após a divisão.

A multiplicação artificial de colônias é um mecanismo importante para a conservação das abelhas sem ferrão, uma vez que pode subsidiar o repovoamento de populações em ambientes fragmentados e evitar a aquisição predatória de colônias em habitats naturais. Pode significar também uma alternativa econômica, uma vez que o foco do meliponicultor pode ser a venda de colônias para futuros criadores, centros de pesquisa, projetos de repovoamento e polinização agrícola.


Figura 1. Aspecto geral da caixa Fernando Oliveira/INPA.
Figura 2. Disposição dos elementos da colônia na caixa FO/INPA.
 
Figura 3. Disposição interna dos elementos da colônia no momento da divisão.

OBJETIVO

   O objetivo desse estudo foi avaliar a capacidade de divisão de colônias da abelha uruçu (Melipona scutellaris) no litoral da Paraíba, ao longo de um ano.

MÉTODOS

Seis colônias de M. scutellaris, transferidas ao citado modelo de caixa em março de 2008, foram divididas pela primeira vez em outubro do mesmo ano e monitoradas quinzenalmente após a divisão. Quando aptas à outra divisão, as colônias foram novamente divididas, seguindo o monitoramento e as divisões até o encerramento do período estabelecido. É importante destacar que as divisões foram feitas todas no mesmo dia, ou seja, as colônias só foram divididas quando todas estivessem aptas para tanto. Foram consideradas colônias aptas à divisão aquelas que apresentavam sete ou mais favos de cria com o diâmetro dos dois favos superiores maior ou igual a 12 cm.  Ao longo do período avaliado todas as colônias receberam, semanalmente, 200 ml de solução de água com açúcar a 50% como alimento complementar.

RESULTADOS

O monitoramento das colônias indicou três épocas apropriadas à divisão de colônias da abelha uruçu, referentes aos meses de outubro, fevereiro e junho. A partir das seis colônias iniciais foram realizadas 53 divisões ao longo de 12 meses, formando 105. Apenas uma divisão foi mal sucedida, representando uma taxa de 1,9% de insucesso da técnica aplicada. Esse resultado indica que Melipona scutellaris tem potencial para ser dividida três vezes ao longo do ano, com intervalo médio de quatro meses entre cada divisão.

Tabela1. Indicadores das atividades de divisão de M. scutellaris durante a pesquisa.

Tomando como base o sucesso das divisões nos três períodos, propõe-se um modelo de potencial reprodutivo de M. scutellaris para o litoral da Paraíba (figura 4), no qual uma colônia bem manejada – devidamente fortalecida com alimentação artificial e monitorada para combate a forídeos – tem potencial para se tornar oito ao longo de um ano.

Figura 4. Modelo da capacidade de divisão de M. scutellaris ao longo de um ano no litoral da Paraíba.

6 comentários:

  1. Olá Jerônimo,
    acompanho seu trabalho e pesquisa,com as uruçus e o parabenizo pelo sucesso alcançado!

    Também moro em jp, e espero ainda poder conversar com vc pessoalmente sobre abelhas nativas,(um dos meus assuntos preferidos)...

    Abraço.
    Paulo Romero.
    Meliponário Braz.

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  2. Muito obrigado, Paulo. Estamos sempre a disposição para conversar. Abração.

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  3. Olá Jerônimo,Bom dia...

    Ainda não tenho as amigas sem ferrão,mas tenho tido um interesse maior em conheçer,como cuidar e criar,procuro plantar em meu terreno plantas ricas em néctar e pólem.E gostaria de saber de ti quando se dá a enxameação aqui no Ceará,e aonde eu poderia adquirir caixas já usadas pelas nativas e assim quem sabe conseguir a minha primeira colméia.Fico desde já grata a ti pela ajuda,um abençoado final de semana a ti junto aos seus,forte abraço...
    Ligia
    meu email:lpsls@ig.com.br

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  4. Olá Jerônimo,tenho 1 cortiço de abelha uruçu e não sei como reproduzir para fazer mais caixote: tirar a fiação do meu enxame para colocar em outro caixote. Sou Jr. de Feira Nova Pe. Por favor me responda se souber. meu email: j_trator_@hotmail.com

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  5. Você disse que a partir de 06 colônias chegou a 106. Não entendi pq na primeira divisão vc formou 11 colônias e já na segunda tinha 19 para dividir...

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  6. Também não entendi a conta, a não ser que você tenha dividido cada colônia em 2 novas mantendo a matriz original.

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